Ando assim meia aérea... Esta altura do ano ainda continua a ser dificil para mim.
Aquela altura da magia do Natal, do aconchego da familia, do fernezim dos presentes...tentar comprar o presente especial para cada pessoa especial que faz parte de nós. Aquela altura do ano que nos faz ter esperanças que os sonhos acontecem e que existe sempre aquela estrela lá no alto que brilha por nós...
A questão é que tento manter este espirito dentro do meu coração, como boa sonhadora que sou, mas confesso que à medida que o tempo passa receio que de alguma forma perca esta capacidade de sonhar que tanto me caracteriza. Este acreditar no amor...que tudo vence...e que existe. Será que existe mesmo? Cada vez que me apaixono acredito que sim, mas as coisas não correm bem e volta a bater aquela descrença, só que cada vez bate mais forte.
Por e simplesmente somos descartados da vida de quem amamos e a quem nos entregámos. Ou então existem obstáculos tão grandes que para lutarmos pelo amor teria que se mudar uma vida completamente... Às vezes opta-se pela situação presente, a mais confortável, não comportando assim os riscos de um novo amor e da construção de uma nova relação. E tomam-se decisoes pela cabeça e não pelo coração.
Talvez até resultasse, provávelmente até iria resultar.... Mas fica o talvez...
Apaixonarmo-nos é o que nos dá vida, como se tivéssemos toda a força do mundo para combater tudo e todos, mas o reverso da medalha, caramba, dói tanto!
Faz agora 4 anos que a Joana nasceu e ainda me bate aquela angústia de sensações e sentimentos vividos naquela altura.
Ainda hoje tenho a sensação tão presente daquela noite tão solitária que passei na maternidade em Coimbra. Era um quarto enorme com 4 ou 5 camas, a minha era a unica cama ocupada. Este é o episódio da minha vida mais doloroso de falar, mas insisto em falar, pois quero que passe.
Passei metade da noite com uma enfermeira que de alguma forma se apercebeu da minha tristeza, apesar da alegria de ser mãe.... Não era suposto estar ali sozinha... Estava ansiosa e nervosa pelo dia de amanhã. O que me esperava? Iria ter mtas dores? Iria conseguir? Meu deus as dores que tinha nas costas, e que tive durante todo o ultimo mês. Como iria cuidar da Joana quando eu me sentia completamente de rastos? Sabia que só depois da Joaninha nascer eu me poderia reerguer, tomar decisões, atirar tudo pro alto e recomeçar do zero, com a minha princesa. Embora a decisão mais dificil já a tinha tomado à uns meses, a de pedir à pessoa que amava para se ir embora. O maior amor que devemos sentir é por nós próprios, não? No dia seguinte passei a manhã inteira sozinha na sala de preparação para o parto, perguntava de 5 em 5 minutos se já tinha chegado alguem da minha familia. Tinha tantas dores e a solidão era tão grande. As lágrimas escorriam-me descontroladamente dos olhos cada vez que tinha uma contracção. Precisava tanto de alguem perto de mim... Uma outra enfermeira acabou por apertar a minha mão com força e ficar um pouco cmgo. A minha mãe

chegou à hora do almoço com uma amiga minha. A Joana nasceu às 18.09h do dia 29 de Dezembro. O momento era aquele.
Passei o fim de ano de 2005/06 na maternidade com a Joana deitada em cima do meu peito. Lembro-me de ouvir o som do programa da tv ao fundo que vinha da sala das enfermeiras. Digo-vos que foi uma passagem de ano mágica.
No dia seguinte tive alta e foi o começo de uma nova etapa..
Trouxe o que pude de Tomar, o resto ficou para trás...os amigos, as pessoas que durante 5 anos fizeram parte da minha familia, a casa, os meus cães, o café onde ía todos os dias, os lugares, os cheiros. Afinal foram 9 anos que lá vivi. Peguei no carro, na Joana e na minha Vira Lata e voltei para Setubal. Precisava do apoio da minha familia para montar casa, tratar da minha pequenita, arranjar trabalho e restabelecer-me.
Aos poucos tudo foi acontecendo, sempre com uma batalha enorme...entre muitas lágrimas pelos sonhos desfeitos, e muitas alegrias pelas conquistas feitas.
Hoje olho para trás e não sei como tive capacidade de passar por tanto, sozinha. E digo sozinha porque por mais acompanhados que estejamos, as decisoes são nossas, a batalha é nossa e o sofrimento é tão só nosso. Hoje tento imaginar o futuro e não faço ideia do que me espera... Por isso tento viver o presente da melhor forma, aproveitar cada experiência intensamente, viver e aprender com cada pessoa que passa na minha vida o mais intensamente possivel. Dar o melhor de mim. Nada na vida é tempo perdido, porque cada experiência enriquece-nos.
Não esqueço ninguem que entrou na minha vida.
Vendo a Joana a crescer apercebo-me melhor do tempo a passar, o tempo que passa e não volta atrás. Meu deus como ela está grande!
É a alegria da minha alma, a luz dos meus olhos. Fazemos uma equipa e tanto: ))
Sim, afinal parece que estou a conseguir... Ela sorri com a alma, é uma criança feliz. Estou a desempenhar bem a minha função.

"Todos nós já tivemos, de uma maneira ou de outra, experiências difíceis na vida. Isto faz parte de nossa viagem por esta Terra – e embora muitas vezes pensemos que “as coisas podiam ter acontecido de outra maneira” - o facto é que não podemos mudar o nosso passado. Por outro lado, é uma mentira pensar que tudo que nos acontece tem o seu lado bom; existem coisas que deixam marcas muito difíceis de superar, feridas que sangram muito. Como, então, nos livrarmos de nossas experiências amargas? Só existe uma maneira: vivendo o presente. Entendendo que, embora não possamos mudar o passado, podemos mudar a próxima hora, o que acontecerá durante à tarde, as decisões a serem tomadas antes de dormir. Como diz o velho provérbio hippie: “hoje é o primeiro dia do resto da minha vida”."
(Paulo Coelho)
Lembro-me de estar a conduzir, com o meu Seat atafulhado de coisas até acima, e ver pelo retrovisor Tomar a distanciar-se cada vez mais. Ía definitivamente para Setúbal e o que me passou pela cabeça naquele momento foi exactamente isto.. Hoje é o primeiro dia do resto da minha vida!
E apesar de tudo.... Que sensação de LIBERDADE!!!!