quarta-feira, 16 de setembro de 2009

A alegria na tristeza

"O título desse texto na verdade não é meu, e sim de um poema do uruguaio Mario Benedetti. No original, chama-se "Alegría de la tristeza" e está no livro "La vida ese paréntesis" que, até onde sei, permanece inédito no Brasil.

O poema diz que a gente pode entristecer-se por vários motivos ou por nenhum motivo aparente, a tristeza pode ser por nós mesmos ou pelas dores do mundo, pode advir de uma palavra ou de um gesto, mas que ela sempre aparece e devemos nos aprontar para recebê-la, porque existe uma alegria inesperada na tristeza, que vem do fato de ainda conseguirmos senti-la.

Pode parecer confuso mas é um alento. Olhe para o lado: estamos vivendo numa era em que pessoas matam em briga de trânsito, matam por um boné, matam para se divertir. Além disso, as pessoas estão sem dinheiro. Quem tem emprego, segura. Quem não tem, procura. Os que possuem um amor desconfiam até da própria sombra, já que há muita oferta de sexo no mercado. E a gente corre pra caramba, é escravo do relógio, não consegue mais ficar deitado numa rede, lendo um livro, ouvindo música. Há tanta coisa pra fazer que resta pouco tempo pra sentir.

Por isso, qualquer sentimento é bem-vindo, mesmo que não seja uma euforia, um gozo, um entusiasmo, mesmo que seja uma melancolia. Sentir é um verbo que se conjuga para dentro, ao contrário do fazer, que é conjugado pra fora.

Sentir alimenta, sentir ensina, sentir aquieta. Fazer é muito barulhento.

Sentir é um retiro, fazer é uma festa. O sentir não pode ser escutado, apenas auscultado. Sentir e fazer, ambos são necessários, mas só o fazer rende grana, contatos, diplomas, convites, aquisições. Até parece que sentir não serve para subir na vida.

Uma pessoa triste é evitada. Não cabe no mundo da propaganda dos cremes dentais, dos pagodes, dos carnavais. Tristeza parece praga, lepra, doença contagiosa, um estacionamento proibido. Ok, tristeza não faz realmente bem pra saúde, mas a introspecção é um recuo providencial, pois é quando silenciamos que melhor conversamos com nossos botões. E dessa conversa sai luz, lições, sinais, e a tristeza acaba saindo também, dando espaço para uma alegria nova e revitalizada. Triste é não sentir nada."

Martha Medeiros

domingo, 6 de setembro de 2009

Lúcida entre as loucuras

"Sem rumo, sem direção
E o pior de tudo
Lúcida.
Queria enlouquecer
Entrar em devaneios, paranóias
Mas a racionalidade me devora.
Queria voar até o céu
Queria sentir o prazer da plenitude
Mas minhas asas se desfazem
Nas mínimas alturas.
Queria subir na montanha mais alta
E berrar coisas inteligíveis
Queria quebrar vidraças
Queria rasgar meu coração, mas
Minha razão não me abandona.
Queria me desvencilhar dela
Pelo menos por um instante
E me permitir enlouquecer.
Me permitir não responder
Me permitir chutar todos os baldes pela frente
Me permitir dizer não
Deixar meu ID se libertar
Ser selvagem
Ser cruel.
Mas o máximo que consigo
É permanecer
Sem rumo, sem direção
E o pior de tudo
Lúcida."
(Jussara Alves)



Tento-me concentrar nos meus objectivos, mas parece-me tudo tão dificil, tão longinquo que me faz sentir enfraquecida...Pergunto-me se algum dia conseguirei?!
Sinto perder em mim aquela menina dinâmica e sonhadora, que sentia energia para mover o mundo se assim fosse necessário para concretizar os seus sonhos.
Hoje tenho apenas objectivos, e sinto uma dificuldade enorme em concretizá-los. Por mais que batalhe e mantenha o ânimo, existem estes dias que me fazem esmorecer e perder a esperança.
O que me obriga a encontrar um rumo, uma direcção são as responsabilidades que tenho. Mas são essas mesmas responsabilidades que me obrigam a estar lucida e a perder as minhas asas.
Tenho saudades de ser menina, tenho saudades dos meus sonhos....tenho saudades de não estar lucida...
E continuo a caminhar, não sei muito bem para onde, talvez pelo unico caminho que deva ir, a encarar a vida e a tentar, mais uma vez, reconstruir, reconstruir e reconstruir....pois é o que tenho feito estes ultimos anos. Não sei quando, mas hei-de conseguir!!..

terça-feira, 1 de setembro de 2009

O Ritmo Inadiável

"A dança é qualquer coisa que nasceu com o próprio Homem, e é uma expressão, simultaneamente, de liberdade e de alegria. É um reflexo, como diriam os nossos avós, “do que nos vai na alma”. A comunicação começa e fundamenta-se entre o gesto e a palavra.
Diz o povo que “o gesto é tudo” e pode-se, precisamente, num desencadear de gestos, no crescer de um ritmo de atitudes, construir uma mensagem relativamente às nossas inquietações, àquilo que nos ocupa e preocupa e, digamos até, a um universo total do mistério da existência.

Diria mesmo, que a dança é, realmente, a poética do gesto, a corporização que cresce nesse gesto, manifestando um discurso que oferece a quem a olha uma determinada mensagem, concreta.
Eu acredito numa dança de improviso.

Entendo perfeitamente que se pode até dançar embalado por uma música interior, a nossa própria música. Nós somos o reflexo de um mundo que nos envolve."
(Lagoa Henriques, excerto retirado da Revista da dança reedição a 21 de Fevereiro de 2009)




Adoro dançar! Gosto de dançar ao som de qualquer musica, em qualquer companhia. Em sitios lotados de gente, ou até a meio gás: )
Gosto de dançar com a minha filha.
Mas a dança que mais gosto é a solitária...quando estou em casa sozinha, comigo própria. Sentir o chão nas palmas do pés e dançar comigo própria. Libertar-me....
Enfim, segredos meus: )


"Mostrem-me como dança um povo e eu lhes direi se a sua civilização está doente ou de boa saúde."
(Sábio Confúcio, China, séc.VI).

domingo, 30 de agosto de 2009

One Love - Sara Tavares

Adoro esta musica!
O ritmo e a mistura de linguas.... esta musica transpira sensualidade.
Dá vontade de dançar... descalçar os sapatos, fechar os olhos e dançar, dançar muitoo: ))

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Eu ainda acredito...

"Eu ainda acredito em fadas, em criaturas estranhas, em pessoas invisíveis ao meu redor.
Continuo a acreditar em animais falantes, e tudo que as pessoas julgam que não é real.
Continuo a acreditar em sonhos, também os que normalmente não podem ser atingidos.
Eu ainda acredito nas coisas bonitas e de beleza que não quer algo em troca.
Eu ainda acredito na esperança, e eu continuo a acreditar no destino.
Acredito que se algo tem de acontecer, vai acontecer de qualquer forma.
Eu ainda acredito em momentos felizes, que raramente aparecem.
E continuo a acreditar que o tempo vai consertar as coisas."


quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Portas...

"Se abres uma porta, podes ou não entrar em uma nova sala. Podes não entrar e ficar observando a vida.
Mas se venceres a dúvida, o temor, e entrar, dás um grande passo: nesta sala vive-se ! Mas, também, tem um preço...
São inúmeras outras portas que se descobre. Às vezes curte-se mil e uma. O grande segredo é saber quando e qual porta deve ser aberta.
A vida não é rigorosa, ela propicia erros e acertos. Os erros podem ser transformados em acertos quando com eles se aprende.
Não existe a segurança do acerto eterno.
A vida é generosa, a cada sala que se vive, descobre-se tantas outras portas. E a vida enriquece quem se arrisca a abrir novas portas.
Ela privilegia quem descobre seus segredos e generosamente oferece afortunadas portas. Mas a vida também pode ser dura e severa.
Se não ultrapassares a porta, terás sempre a mesma porta pela frente.
É a repetição perante a criação, é a monotonia monocromática perante a multiplicidade das cores, é a estagnação da vida...

Para a vida, as portas não são obstáculos, mas diferentes passagens!"




Quando se entra, deve-se entrar completamente. Caso contrário é como se ficássemos com uma perna lá e outra cá.... e é tão frustrante!
"A vida não é rigorosa", "Não existe a segurança do acerto eterno"....então porque não dar-mo-nos, abrir os braços à vida e viver. Mas viver de corpo e alma!!
Nem que seja o momento, pode ser que esse momento seja eterno...

"Os erros podem ser transformados em acertos quando com eles se aprende."


"Nunca tive medo de me mostrar. Você pode ficar escondido em casa, protegido pelas paredes. Mas você tá vivo, e essa vida é pra se mostrar. Esse é o meu espetáculo. Só quem se mostra se encontra. Por mais que se perca no caminho."
(Cazuza)

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Secret World



Secret World
Peter Gabriel

I stood in this sunsheltered place
'Til I could see the face behind the face
All that had gone before had left no trace

Down by the railway siding
In our secret world, we were colliding
All the places we were hiding love
What was it we were thinking of?

So I watch you wash your hair
Underwater, unaware
And the plane flies through the air
Did you think you didn't have to choose it
That I alone could win or lose it
In all the places we were hiding love
What was it we were thinking of?

In this house of make believe
Divided in two, like Adam and Eve
You put out and I recieve

{Chorus:}
Down by the railway siding
In our secret world, we were colliding
In all the places we were hiding love
What was it we were thinking of?

Oh the wheel is turning spinning round and round
And the house is crubling but the stairways stand

With no guilt and no shame, no sorrow or blame
Whatever it is, we are all the same

Making it up in our secret world [x3]
Shaking it up
Breaking it up
Making it up in our secret world

Seeing things that were not there
On a wing on a prayer
In this state of disrepair


Shh, listen...